Cientistas fotografam peixe raro a 7,6 mil metros de profundidade

16/11/2009 12:04
'Notoliparis kermadecensis', fotografados na costa da Nova Zelândia

Os Notoliparis kermadecensis foram fotografados a 7.650 m de profundidade

Cientistas que trabalham na costa da Nova Zelândia conseguiram fotografar peixes que habitam regiões profundas do oceano, 7.560 metros abaixo da superfície.

É a primeira vez que se vê peixes vivos em tamanha profundidade no hemisfério sul.

As criaturas, de aparência estranha e coloração rosada, foram fotografadas quando nadavam na Fossa de Kermadec, uma vala situada no fundo do mar perto da costa neo-zelandesa.

A equipe de pesquisadores vinha estudando a área com uma sonda submarina construída para suportar grande pressão.

No ano passado, a mesma equipe registrou a presença de peixes a 7.700 metros - a maior profundidade em que peixes foram filmados até hoje, segundo a equipe.

Os animais haviam sido encontrados na Fossa do Japão, no Oceano Pacífico, ao norte do Equador.

Aparência semelhante

Notoliparis kermadecensis

Os peixes de profundidade foram atraídos com peixes podres

As duas expedições integram o projeto Hadeep, que tenta expandir o conhecimento sobre a vida nas fossas oceânicas, as regiões mais profundas do mar.

Os peixes encontrados no mar profundo perto da Nova Zelândia têm aparência muito semelhante à daqueles encontrados no ano passado: de cor rosa pálida, com corpos arredondados e caudas longas - mas tratam-se, na verdade, de espécies diferentes.

Os habitantes da Fossa Kermadec são de uma espécie conhecida como Notoliparis kermadecensis , enquanto os da Fossa do Japão são da espécie Pseudoliparis amblystomopsis .

O pesquisador Monty Priede, diretor do Oceanlab, da University of Aberdeen, na Escócia, responsável pelo projeto Hadeep, disse:

"O que nos intriga é que cada uma das fossas parece ter sido colonizada por esses peixes, apesar de estarem em hemisférios diferentes".

"Presumimos que (evoluíram) a partir de ancestrais semelhantes (que habitavam) regiões mais rasas".

"Essas espécies nunca são encontradas fora das fossas - são regiões muito isoladas. Você pode imaginar as fossas como se fossem ilhas".

Os peixes foram fotografados com o uso de um mini-submarino acoplado com uma câmera, conectado a um barco e controlado a partir da superfície.

O submarino foi carregado com peixes podres, para atrair os animais do fundo do mar e permitir que eles fossem fotografados e estudados.

Mas diferentemente de 2008, neste ano a equipe de cientistas não conseguiu filmar os peixes (apenas fotografou), porque o submarino principal, que levava o equipamento de vídeo, foi perdido durante a operação.

Alan Jamieson, da empresa Oceanlab, que coordena o projeto, disse que ficou “devastado” com a perda do equipamento, avaliado em 150 mil libras (cerca de R$ 430 mil).

Sem Consenso

O debate sobre quais seriam as espécies de peixes a viver nas maiores profundidades do oceano divide especialistas.

Em 1960, os pesquisadores Jacques Piccard e Don Walsh baixaram a 10.910 metros na Fossa das Marianas, o ponto mais profundo dos oceanos.

Em seu livro Seven Miles Down, Piccard disse ter visto um tipo de peixe. Mas especialistas dizem que a 10 mil metros de profundidade, a pressão faria com que as janelas se curvassem, tornando difícil a visão do lado externo.

O recorde oficial do peixe encontrado à maior profundidade é do Abyssobrotula galatheae, localizado no fundo da Fossa de Porto Rico, em 1970, a uma profundidade de mais de 8.370 metros.

Os pesquisadores tentaram retirar o peixe para estudá-lo, mas ele morreu antes de chegar à superfície.

A descoberta da equipe da Oceanlab tem o recorde para o peixe de maior profundidade estudado vivo.

O pesquisador Monty Priede disse esperar que mais peixes possam ser eventualmente vistos a profundidades ainda mais altas.

 

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2009/11/091113_peixes_profundidade_rw.shtml